Metamodernismo: tópicos

Tópicos sobre Metamoderno:

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COMPOSIÇÃO POÉTICA

ANTÔNIO MIRANDA:

Onde eu “maravilhei” foi mesmo com o “Hiléia: poemeto-epifânico-ecológico da Amazônia – 1988”. Genial, insuperável. Merecia uma edição exclusiva, ilustrada, acompanhada de um glossário ao final ou no rodapé par ajudar os leigos na intepretação da língua e das lendas indígenas. Raul Bopp redivivo e superado. Aliás, o  Poeta-Bopp  aparece no texto como um Virgílio adentrando a hiléia na narrativa poética. Talvez fosse o caso de produzir-se um e-book hipermidiático com links para um vocabulário-fabulário...


Hiléia
poemeto épico-epifânico-ecológico-amazônico
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Bagg'Ave - livro de poemas de 1984
Bagg'Ave
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Poemas contraculturais de J.J. Gallahade e Jayro Luna, publicado em 1984, com poemas significativos do período da poesia marginal e da beat generation no Brasil: Gotham City, Rock Barroco, Flash Back, Poema Drix, Asa Púrpura entre outros.

Canção do Facebook

A Zuckenberg, Saverin, Moskovitz, Hughes e Winston Smith

“O olho do homem serve de fotografia ao invisível, como o ouvido serve de eco ao silêncio” Machado de Assis.

1.

Após a leitura duma frase feita

O impulso de apertar o botão curtir,

E ao olhar num ato de quem espreita

As fotos da viagem à Índia, do faquir,

Ou os álbuns de moças, a suspeita

Dum ato de voyeur, dum falso vizir,

Ou ainda mostrar o meu mais novo look,

Eis as mil maravilhas do facebook!

2.

Muito preocupado está o caro Snowden,

Existem olhares ocultos atrás

Das janelas, perscrutando já meu modem,

Meus amigos, meus contatos, minha paz...

Amigos virtuais, ex-colegas que não têm

Nem mais lembranças de mim! E o que se faz

Nesses casos é adicionar ao batuque,

Compartilhar a vida no facebook!

3.

É preciso pôr alegria no perfil,

Convidar amigos aos aplicativos,

Mostra-se tudo, o tombo que alguém viu,

O banho, a rua, o quarto, tudo sem crivo,

Mensagens de amor, o fundo do barril,

A digital, o cão, o gato, a diva,

A frase de auto-ajuda que nos eduque,

Ou deseduque, eis a moral do facebook!

4.

Cabeça cortada, mãe amamentando,

Tem lá Instagram, Netflix, Skype, Whatsapp,

Assinar, seguir, sei lá o que tá rolando,

Mil eventos, passeatas, não há o que escape...

Meu velho Mallarmé, o Mundo girando

Não existe pra entrar num livro; Ó naipe

Augusto, nem pra passar na TV, o truque

É que o Mundo é pra postar no facebook!

 

Exercício Concreto em Memória de Décio Pignatari

Um Rock Barroco - apresentaçao com musica do Steppenwolf
Achilles Last Stand - com os Lee bats e apresentaçao do Ultraman
Jogos da Mente...
Jogos da Mente
Jogos da Mente
A Raul Seixas, Paulo Coelho, Ram Bojam e Inri Cristo
“We're playing those mind games together”, John Lennon.
“A despeito de nossa mente, de nosso intelecto, de nosso poder de raciocínio e de nossa inteligência, continuamos a ser enigmas a nós outros” James N. Powell
“A meta da individuação não é outra senão a de despojar o si-mesmo dos invólucros falsos da persona, assim como do poder sugestivo das imagens primordiais”. C.G. Jung

No princípio era o Verbo...A palavra é tudo
Tudo o que somos está nas palavras...
Meu sonhos, meus desejos, tudo pelo que me iludo...
Minha obra, meus poemas, toda minha lavra!

Na linguagem começa e termina minha existência!
Não sou nada sem ela, sequer existo fora dela!
De teu amor, apenas por ela tomo ciência,
De certo modo, a linguagem é uma cela!

Como vemos o mundo, o que é a realidade...
O que entendo e sinto por Deus
O que está entre mim e os outros, na verdade,
Reduz-se e amplia-se ao som de signos-proteus!

A transcendência buscada por tantos avatares...
Exilados nos templos, nas árvores, nas montanhas,
Buscando entender os segredos dos lares, dos bares,
Do que chamamos vida....pretensiosa descabida façanha!

Vi uma vez um menino no longínquo Nepal,
Era Ram Bojam...Mas esse retiro de sofrimento, de recusa...
De se fechar a tudo para se encontrar afinal,
De não ver a vida à volta, se torna busca obtusa!

Uma vez um velho e bom homem pediu ao monge
Que o ensinasse a conseguir a iluminação,
Meditou vinte anos numa caverna bem longe
Não a conseguiu...Só a teve quando o desejo se deixou em vão!

Se quere é poder...se a voz do povo é a voz de Deus...
Quero e não posso, ouço as pessoas e não entendo
O que se passa entre meu espírito e os poderes que não são meus!
Já cantei o som da sílaba OM....Já o poderoso DA estive soando!

Mas o que me resultou em tal intento de magia,
Foi que a paz de espírito não é o que busco,
Não sou avatar da paz, não sei ao que a vida me ia,
Quando a mudei pelo rumo mais rude e mais brusco!

Quando a pétala de flor cai sobre a água do calmo lago,
Quando a luz se reflete nas tênues ondas do rio,
Em mim um Oceano de Netuno se me perde o que divago,
Tsunâmes revoltos abarcam muralhas e diques e me desvio!

No topo de minha cabeça, por onde passa o raio
Que chega ao meu terceiro olho, a lustrosa pineal,
Não sei por onde vou, que não estou em mim, eu me saio
E fico a procurar por mim no meio dum canal!

Sei hoje, porém, que a palavra é tudo! Que é o Verbo!
Adão, o primeiro homem que falou, falou só...
Não havia Eva ainda, Deus ocupado num afazer acerbo...
Adam Kadmon ouviu sua própria voz vinda do pó!

O Sol, as estrelas, o relâmpago, a árvore, as aves...
Os navios, os aviões, os carros, os sapatos...
Meus poemas, suas músicas, nossas palavras suaves,
Tudo é apenas e só da linguagem um ínfimo ato!

Quando penso que me penso, e se penso o que penso
É na verdade o verbo que pensa que existo em mim
Sou uma possibilidade de rima, de verso suspenso,
Sou individualidade falsa, sou o começo em forma de fim!


Dr. Fritz (gravura) e Zé Arigó operando (foto)
         
Dr. Fritz

Dr. Fritz

A Rubens, Murilo e João de Abadiânia.

“For he who lives more lives than one

More deaths than one must die.” Oscar Wilde.

 

 

Um médico alemão na I Guerra

Vem à pátria dos místicos e enfermos,

Das maiores naturais belezas da terra,

Dos ladrões ricos entre muitos pobres...

 

José Arigó dá de curar ao ermo...

Tumor em Bittencourt, filha de Kubitschek...

Meus caros Belk e Laurence, o termo,

Enfim, isso não é coisa de moleque...

 

Depois Edivaldo assume o austero ofício...

Maurício em Mato Grosso, Edson Queiroz...

Mortes trágicas de médiuns... Sacrifício?...

 

O Aleijadinho o trouxe ao trabalho atroz!...

Charlatães? Acaso algum Adolf Fritz no início?

Minha alma diz: -Cura-me da falta em vós!

 

 

Idomeneu
Idomeneu, Rei de Creta
Idomeneu, Rei de Creta
A Hans Neuenfels, Freud e Jung, Abraão e Isaac.
“Nettuno s'onori,
Quel nome risuoni,
Quel Nume s'adori,
Sovrano del mar;
Con danze e con suoni
Convien festeggiar.” Idomeneo, Mozart / Varesco.
“Na cidade Ocian, cujo nome, ao acaso
Se refere ao seu reino vasto ao poente...
E o eco dos pensamentos passa no ocaso...” Neptuno, autocitação...

Para aplacar a fúria dos mares,
Destes mares infinitos a cercar meus sentidos
E minha consciência, e meu olhar sofrido,
Canto a Netuno, antes os olhares
Estupefatos de meus marujos,
Temerosos de que a morte lhes sobrevenha pelas águas...
A promessa que me causara lágrimas de imensas mágoas...
Fiz ao deus dos mares da qual ora fujo...


Idamantes, filho, por que cargas d’água, ó infortúnio,
Tivera aquele momento que estar à praia?
A sorte sorri tanto quanto a tragédia ensaia!
Porém, como não o reconhecera ao plenilúnio?
Idamantes és como sou, minha imagem no espelho,
Com o tempo, não nos reconhecemos mais,
Ante o que éramos e o que somos ou seremos, ademais
Se mesmo o sangue azul é vermelho....

Ília, princesa Troiana, prisioneira de Cretenses,
Quis Cupido que a flechasse ao olhar para Idamantes...
Electra, concorrente no amor, que substitui o proibido de antes
E que assim ao complexo por ora vences...
Ante tanta vida e tantas disputas,
Ondas colossais assolam meu reino ilusório,
Solto meu choro grego num inespecífico latinório,
Cercado de imagens de santas e putas...

Arbaces, consulto-o, é para isto que serves...
Que Idamantes fuja? Se resolves com Poseidon depois à vigília...
Mas hoje eu sou uma Ilha, meu reino é uma Ilha,
Que o sentimento mais nobre ante à vida se conserve!
Afogados, náufragos, desolados, refugiados,
O Sacerdote apela para minha consciência...
Se algo prometi nesta vida que se cumpra com decência...
Que governo? Que direção? Desagradei aos deuses honrados?

No extremo da decisão extrema...No apogeu do conflito...
No Íntimo de minh’alma, busco a voz do coração...
E eis que Idamantes, que sou eu ao fim de minha razão,
Se apresenta para o sacrifício maldito!
Ília, por amor desta imagem,
Se joga aos meus pés em ato de paixão e coragem,
Oferecendo-se ao fado explícito...


Mas, ouvindo minhas preces, eis que Netuno
Com voz tronitroante se faz ouvir
E declara que meu reino precisa doutro rei para não ruir,
É Idamantes, e Ília, sua rainha!... Destronamento oportuno...
Electra, irada, deságua seus sentimentos desde Clitemnestra...
Salvo-me de meu suplício!
Meu reino? Idamantes sou eu enfim, renovado, vívido de inícios...
E festeja-se o himeneu de Eros com a Psique que a consciência orquestra ...
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